A partir de diagnóstico, região começa a planejar o turismo

Sob olhares atentos de prefeitos e vereadores da região, a SATC apresentou ontem, num dos auditórios da instituição, o diagnóstico sobre o potencial de desenvolvimento turístico dos 12 municípios que compõem a Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec). O relatório de mais de 7 mil páginas foi resumido numa apresentação de aproximadamente duas horas, com ênfase nos aspectos geográficos, históricos, culturais e na percepção que a população local tem do turismo.

Conforme matéria do Portal Clicatribuna, a elaboração do estudo partiu da ideia de que a atividade não pode ser pensada de forma isolada entre um município e outro, mas regionalmente. “Turismo é regional. Se já existem algumas ações isoladas, ótimo, mas precisamos pensar na região”, frisou o coordenador do estudo, Ari Azambuja de Oliveira. Os 14 profissionais envolvidos percorreram mais de 10 mil quilômetros pelos municípios, conforme a SATC.

O resultado foi a criação do circuito “Rastros e Segredos do Sul”, que está pronto para ser viabilizado tão logo o Poder Público decida fazê-lo.

Desconhecimento por parte da população

Um fato destacado pelos profissionais que trabalharam no estudo foi o desconhecimento por parte da população em relação ao potencial turístico da região. Uma pesquisa foi feita com 1.161 entrevistados em todos os 12 municípios. Na primeira pergunta do questionário, sobre se a região tem potencial turístico, mais de uma a cada quatro pessoas disseram que não.

Depois, ao longo da pesquisa, os entrevistados foram estimulados a refletir sobre os pontos turísticos da região, por meio de perguntas. Ao fim, questionados se recomendariam a um amigo fazer turismo na Região Carbonífera, quase todos disseram que sim. O estudo levantou vários aspectos relevantes da região para o desenvolvimento do turismo, muitos desconhecidos pela maior parte da população. A Serra do Rio do Rastro, de Lauro Müller, por exemplo, foi considerada pelo geólogo inglês Israel Charles White como uma evidência da teoria da deriva continental – que diz que todos os continentes eram apenas um no início da formação da Terra. Siderópolis tem o maior paredão para escalada do Brasil, o Morro da Mina.

Base para traçar ações

Para o prefeito de Lauro Müller e presidente da Amrec, Fabrício Kusmin Alves, o processo de desenvolver turismo é lento. “A partir do diagnóstico, poderemos traçar um conjunto de ações na região. O grande desafio agora é colocar em prática e fazer funcionar”, ponderou.

O estudo sugeriu a instalação de três centros de atendimento ao turista: um em Lauro Müller, que já está sendo criado, e dois na BR-101, para divulgar os pontos turísticos a quem trafega pela rodovia federal.

O levantamento foi contratado em setembro pela Amrec, com apoio do Governo do Estado. O estudo deveria ter sido apresentado em fevereiro. O atraso, segundo o coordenador do diagnóstico, é justificado pelo fato de que o Estado ainda não pagou a parte que lhe cabe – R$ 60 mil, do total de R$ 115 mil. “Mesmo assim, decidimos continuar o projeto, mesmo com o déficit”, concluiu Oliveira.

Municípios ainda precisam trilhar longo caminho

Apesar de ter em seu território uma beleza natural tão especular como a Serra do Rio do Rastro, o município de Lauro Müller precisa trilhar um grande caminho para atingir todo o seu potencial turístico.

Assim como muitas cidades do Sul catarinense, o planejamento aliado a investimentos públicos e privados precisa ser feito para atrair os turistas. Foi apostando neste grande potencial que há 12 anos o aposentado Mercilo Rigon, de 66 anos, adquiriu uma propriedade em Lauro Müller. São 180 hectares, com 30 cachoeiras e cerca de 40 açudes e uma beleza surpreendente. “Estamos construindo casas para receber as famílias para hospedagens e montando a estrutura para receber os turistas. Um local para eventos, atualmente, já recebe visitantes”, conta o empreendedor, que é natural de Palmito, no Oeste do estado.

Cinco casas devem estar concluídas nos próximos meses na Estância Pé da Serra para começar a receber os turistas. O visitante poderá realizar as trilhas de quadriciclo, a pé ou mesmo a cavalo, visitar os pomares, passear de charrete. As crianças poderão ainda conhecer a “casa do lobo mau” em meio à mata. “Dos 12 municípios da Região Carbonífera, a intenção é fazer da propriedade um carro-chefe para o turismo”, conta Rigon. Do centro de Lauro Müller são aproximadamente 15 quilômetros até o local, passando pelo Distrito de Guatá.

Benefício para toda a região

O empreendedor já investiu aproximadamente R$ 2 milhões no local. Somente para dar melhores condições à estrada que dá acesso à estância, foram R$ 150 mil. “Precisamos contar com o apoio das administrações públicas para que os empreendedores se sintam motivados a investir. São muitos fatores que precisam ser melhorados e desenvolvidos para se criar pontos turísticos que atraiam as pessoas. Eu não quero ficar sozinho. Quando um turista vem para uma cidade ou região, ele quer circular, conhecer”, observa.

Cidade é o início da Rota Encantos do Sul

De acordo com o secretário de Agricultura e Turismo de Lauro Müller, Eliandro Giongo, a administração atual está focada no turismo e no segmento agrícola para promover o desenvolvimento da cidade. “Lauro Müller não é o fim da linha, e sim o início da Rota Encantos do Sul. Não queremos apenas os turistas passando pela cidade para direcionar a outras regiões, e sim parando aqui. Ficamos felizes por saber que a cidade tem um grande potencial turístico, mas com isso se constata que muito pouco foi feito até agora”, comenta o secretário.

Giongo conta que ações estão sendo elaboradas para este ano. “Estamos realizando um cadastro único de pousadas, restaurantes, para atualização do site. Três grandes eventos esportivos estão programados. Em parceria com o Sebrae, queremos que os empreendedores possam ter condições de investir e também de se capacitar”, acrescenta o secretário.

Acesse para ler a reportagem e ver mais imagens – Fonte e imagens: Destaque Sul – 03/07/2014.